Há muito, muito tempo, numa floresta amaldiçoada, uma pequena casa existia,
e lá dentro, um grande mago vivia.
Numa noite abençoada, algo de belo aconteceu,
estava a lua sozinha e o sol apareceu!
Com olhares de ternura e também carinho,
eles lá se aproximaram e deram um beijinho.
O tempo foi passando e a lua foi crescendo,
o sol que se escapava, de vez em quando lá ia aparecendo.
Numa noite de lua cheia, estava ela tão sozinha,
as estrelas rodearam-na e nasceu uma menininha.
O tempo foi passando e ela sempre a crescer,
até que sua mãe a avisou: “Tem cuidado, estás a morrer!”.
O céu desmoronou, as estrelas começaram a morrer
ao verem a bela menina que estava a sofrer.
Uma marca de nascença ela tinha, que um pouco a embaraçava,
uma lua inteirinha, que desaparecia enquanto o tempo passava.
Sua mãe lhe contou o que havia acontecido,
uma bruxa a amaldiçoou dizendo que morreria quando a lua tivesse desaparecido.
“Minha mãe!”- disse a menina sempre a chorar
“Como me posso livrar deste feitiço que me está a matar?”
“A bruxa que te amaldiçoou numa vassoura veio a voar,
dizendo que com o nosso amor ela queria acabar!
Sem eu saber de nada, um alfinete ela me espetou
na barriga onde tu estavas e assim tudo começou.
Um mês depois, a bruxa voltou
e me contando toda a história, o céu chorou.
Ela também me disse o que poderia acabar,
com esse malvado feitiço que te está a matar.
Numa terra distante, uma figueira encontrarás,
se comeres um desses figos, com teu feitiço acabarás.”
A menina com tristeza, lá foi procurar
a tal figueira mágica que a iria curar.
Pelo meio da floresta ela foi a andar,
encontrando o mago que lhe queria falar.
“Eu sei que uma figueira mágica tu queres encontrar,
e eu gostaria imenso de te poder ajudar!”
“A tua ajuda para mim é preciosa,
até porque eu, pela minha vida estou receosa.”
“Quando fui a outra terra, muita gente falava,
dizendo que a tal figueira perto de uma ribeira ficava.
Ao princípio não liguei, pensei que fosse só o povo a falar,
mas agora é que eu sei que com isso te posso ajudar!”
“A ti te agradeço tudo o que tens feito,
depois de me ajudares ao céu terás direito.”
Por serras e montanhas eles passaram,
até que uma bela ribeira encontraram.
Estavam com sede, queriam beber,
mas quando se aproximaram, nem queriam acreditar no que estavam a ver.
Uma bela figueira à sua frente se erguia,
com a água reflectida, toda ela reluzia.
A menina estava a ver, mas não queria acreditar
que tinha encontrado a figueira que a ia salvar.
Seus olhos reluziam de tanta felicidade
e suas mãos tremiam de tanta ansiedade.
Ela lá se foi aproximando, sempre a suspirar,
mal respirando e com o coração quase a rebentar.
Quando finalmente chegou e um figo ia colher,
uma voz grossa soou que a fez estremecer.
“Não podes colher um fruto, não podes mais avançar,
para poderes comer um deles, duas provas tens de superar.
A primeira prova não será fácil de ultrapassar,
um lobo selvagem terás de domar.”
A menina pensou e não conseguia encontrar
uma maneira daquela prova poder concretizar.
Um lobo selvagem apareceu e da menina se foi aproximando,
com os dentes à mostra e quase a atacando.
A menina receosa, tentou recuar,
quando a lua do seu peito começou a brilhar.
O lobo parou e uma luz o envolveu,
quando o clarão acabou, um lobo meigo apareceu.
Convencida pela proeza que a menina havia feito,
a voz da figueira tornou a falar, num tom de respeito.
“Muito bem, conseguiste a primeira prova superar,
mas duvido que a segunda consigas ultrapassar.
Agorinha, a meio da tarde, uma coisa difícil terás de fazer,
para acompanhar o sol, a lua terás de fazer aparecer.”
A menina desesperada, sem saber como a prova ultrapassar,
deitou-se de joelhos no chão e começou a chorar.
“Minha mãe,- ela gritou- não sei como o fazer,
se não superar esta prova o figo não poderei comer.”
Perante o sofrimento da menina, todo o céu escureceu,
e lado a lado com o sol a lua apareceu.
“Minha filha, eu te ouvi! Em teu socorro eu quis vir,
vendo que estavas a sofrer, vim antes da noite cair.”
“Obrigada minha mãe pela sua preciosa ajuda,
agora eu sei que tenho quem me acuda!”
Após esta cena de ternura, a voz da árvore tornou,
num tom de voz tão suave, que a todos embalou.
“Muito bem minha menina, a última prova conseguiste superar,
agora tens a minha autorização para comeres um figo que te irá curar!”
A menina, sem demora, um figo foi colher,
estando ela muito fraca e quase a morrer.
Num figo ela agarrou e na boca o meteu,
lá o foi mastigando e o que é que aconteceu?
A marca no seu peito logo se iluminou,
poucos momentos depois, toda ela evaporou.
A felicidade dos três era uma coisa maravilhosa
e desde aí até hoje, nunca mais se viu uma família tão luminosa.